Crítica: O Mensageiro

Em um ano em que temos um filme de Guerra favorito a levar o Oscar de melhor filme, seria pedir demais que houvesse outro filme de tema "semelhante" concorrendo conjuntamente a estatueta. Ok, até aconteceu algo parecido em 1999, com O resgate do soldado Ryan e Além da linha vermelha. Uma pena que este ano, mesmo com 10 concorrentes, o excelente O Mensageiro tenha sido deixado de fora da disputa na categoria principal.


O Mensageiro é o tipo de filme que surpreende pela forma como o tema é tratado na tela. Na história, um jovem herói de guerra é convocado para uma última missão antes de abandonar o exército: acompanhar um veterano na entrega de mensagens de condolências a parentes de soldados mortos. As reações, como é de se esperar, são as mais variadas possíveis. Ben Foster e Woody Harrelson brilham como os dois oficiais, e o roteiro acerta por tratar de forma peculiar a relação de amizade que surge entre os dois homens, que são tão diferentes. De quebra, existem diversas críticas veladas ao exército americano.

Apesar da premissa aparentemente simples, são os pequenos detalhes que fazem a diferença. Prova disso é a atuação cheia de nuances de Woody Harrelson. Posando como o soldado forte e de caráter duvidoso, porém irrefreável, o ator surpreende quando ao decorrer do filme mostra uma fragilidade muito maior do que esperávamos ver. Da mesma forma, o personagem de Ben Foster amadurece ao encarar de frente a ingrata missão, sem deixar de expor os fantasmas que ainda o incomodam em seu passado - relembrando das pessoas que matou na Guerra e da perda de seu verdadeiro amor. É uma jornada de superação e descobertas para ambos. E não é necessariamente o que parece quando começamos a acompanhar a história.

O diretor Oren Moverman faz um trabalho fantástico em sua estréia, criando um filme coeso, bem montado e extremamente original.

Cotação: ***

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