Crítica: Guerra ao Terror

Os filmes de guerra não tem feito sucesso nas bilheterias. Diante deste fato, a Imagem Filmes optou por lançar o fabuloso Guerra ao Terror direto no mercado de Home Video no Brasil. No entanto, não foi apenas o mercado brasileiro que não acreditou no longa de Kathryn Bigelow. Sem conseguir um distribuidor interessado em seu filme, a diretora precisou lançá-lo de forma independente. Sorte de nós, cinéfilos, que este grande filme não ficou engavetado. Guerra ao Terror é uma experiência cinematográfica sufocante e perturbadora.


O filme conta a trajetória de um grupo de soldados americanos lotados em Bagdá, especializados em encontrar e desarmar minas e bombas terrestres. Logo no início, acompanhamos uma operação frustrada que acaba com a morte de um dos oficiais. Para ocupar o cargo vago, chega o Sargento William James, um audacioso "hurt locker". Agindo de forma pouco ortodoxa nas operações em que comanda, demora a conseguir o respeito de sua equipe, formada pelos oficiais Sanborn e Eldridge, que ao contrário do colega, querem apenas cumprir com as missões da forma mais segura possível e continuar vivos.

A solidão dos soldados, seus conflitos e a saudade de casa são temas tratados de forma magistral pelo roteiro, que desenvolve de maneira coesa os principais personagens, explorando os efeitos da violência e da tristeza do ambiente hostil da guerra sob a mente humana. Jeremy Renner está fantástico, dominando todas as cenas em que participa - que não são poucas. O destino do personagem não é nada previsível, e o desfecho escolhido, espetacular.

Kathryn Bigelow conseguiu um feito impressionante. Sua câmera desfila de forma crua, sem medo de registrar imagens chocantes - muitas delas em locações reais. A fotografia e a montagem ajudam a criar o clima de tensão, assim como a trilha sonora. Tudo foi construído de forma a causar no espectador um sentimento constante de desconforto. Guerra ao Terror é um filme difícil de assistir. O que o torna ainda mais impressionante.

Com as 9 indicações recebidas pelo filme ao Oscar - mesmo número de Avatar - Guerra ao Terror se tornou franco favorito ao prêmio de melhor filme e direção. Em um ano de grandes filmes autorais, seria mais do que interessante ver este grande trabalho sendo reconhecido. No início de março, iremos saber a resposta.

Cotação: ****


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica: A Cabana

Crítica: Logan

Crítica: A Bela e a Fera