A mesmice e o Cinema Brasileiro

Chega de mesmice.

Falar do cinema brasileiro é, de alguma forma, cair nessa questão.

Tempos atrás, poderiamos dizer que não tínhamos condições em termos técnicos de concorrer com as produções estrangeiras, principalmente americanas. Pois essa história já morreu, minha gente. Hoje temos profissionais competentes em todas as áreas, seja de fotografia, som ou mesmo efeitos especiais. Nosso cinema está definitivamente profissionalizado, e o resultado vemos na tela, com filmes cada vez mais chamativos em termos técnicos, e que até lançam tendências - para isto, basta pensar em "Cidade de Deus", cuja estética é hoje uma das mais copiadas em todo o mundo.

O problema do cinema brasileiro é muito mais conjuntural que estrutural; caímos naquela história de produzir o que o mercado quer consumir. E o que os executivos acreditam? Que todos adoramos comédias romanticas e dramas sobre pobreza e violência urbana.

Mas isso é realmente verdade?

O fato é, para cada "O cheiro do ralo" existem cinco "Se eu fosse você".
Para cada "Cronicamente inviável" existem dez "Salve Geral".
Para cada "Lavoura Arcaica" existem vinte "Lula, o filho do Brasil".

E por aí vai...

O público de cinema que gosta e assiste a filmes brasileiros é de certa forma o mesmo público que assiste produções estrangeiras. E, ora bolas, o que estamos buscando quando vamos ao cinema? Buscamos boas histórias, independentemente de que tipo de gênero elas pertençam.

Acho importante que existam filmes de temas variados; temos que colocar nosso folclore nas telas, todos fazem isso. Temos que ter filmes da Xuxa, afinal, existe um público específico que espera por eles. E temos que ter filmes que falem sobre as mazelas de nossa sociedade. Claro! Mas também podemos ter aventuras, ficções, suspenses, filmes de horror... precisamos diversificar a nossa produção para vender mais! É assim que funciona em qualquer ramo. Temos que fugir da mesmice dos temas.

Alguns passos foram dados.

Exemplos recentes são filmes como "O Xangô de Baker Street", "O homem que copiava" e "Redentor". Até mesmo "A mulher invisível". Todos tratam de temas bem variados, e são filmes excelentes. Nem todos foram sucessos absurdos de público, mas ousaram contar histórias que fogem um pouco do óbvio a que estamos acostumados a ver nas salas de cinema quando o assunto é Cinema Brasileiro. Parte da culpa desse "preconceito"que teoricamente existe pelo produto nacional é da industria, que se concentra naquilo que acreditam "que vai dar certo". Nesse caso, não existe nada mais legal do que a surpresa.

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