Crítica: Gomorra

Retratar a realidade é um desafio para o cinema desde a sua concepção. No entanto, este é um desafio difícil de ser superado, quase sempre por uma barreira intransponível: a visão do realizador.

É verdade que existem diversas formas de se fazer cinema, e a mais utilizada para retratar de forma precisa o mundo real é através dos cine-documentários. O que ocorre é que atualmente esta lógica foi corrompida de tal maneira que é difícil acompanharmos um documentário totalmente crível com a "realidade" do tema que aborda.

Gomorra é uma tentativa do cinema Italiano de realizar um filme de ficção com pretensões documentais sobre a organização criminosa Comorra, que controla boa parte do crime organizado na região sudoeste do país. Seguindo à risca a cartilha de Cidade de Deus, o filme alterna sequencias de forte apelo visual e extrema violência com histórias paralelas de alguns personagens que vivem de formas distintas o dia-a-dia da vida em meio ao caos causado pelo domínio criminoso.


O diretor escolheu seguir a narrativa contando a história dos personagens de maneira intercalada, de forma semelhante ao que vemos em filmes como Crash, Babel e Amores Brutos. No entanto, estes filmes tinham uma proposta totalmente ficcional, e seus roteiros desenvolviam de forma precisa os personagens. O que não acontece em Gomorra. Até a caracterização dos personagens fica prejudicada, pois recorrendo a tipagem - alguns atores sequer parecem profissionais - fica a impressão de que se está assistindo a um documentário dramatizado, em contrapartida a momentos claramente ficcionais retirados do romance em que o filme é baseado.

Num saldo final, trata-se apenas de mais um bom filme que fala de violência urbana e descontrole da máquina dos estados nacionais.

Cotação: ***

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