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Crítica: Os Miseráveis

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A responsabilidade ao adaptar uma obra clássica da literatura, por si só, já é uma tarefa inglória. Quando esta obra se torna um musical que é um fenômeno mundial de público e crítica nos palcos, ela é ainda maior. Isso não intimidou Tom Hopper, que depois de arrebatar um Oscar de melhor diretor por O discurso do rei resolveu levar para as telas a obra prima de Vitor Hugo em sua versão mais conhecida atualmente. O musical Os Miseráveis é um campeão de audiência e longevidade no West End Britânico. Em uma época em que os musicais retornaram com força aos cinemas, era natural que a obra também recebesse sua versão em celuloide, apesar da natureza mais sombria e triste que outros exemplos do gênero como Chicago, Nine e até mesmo O fantasma da Ópera. Sem mexer na essência do texto original, Tom Hopper faz de seu Os Miseráveis um espetáculo visual embalado pelas composições eternas de Claude-Michel Schönberg que encantam o mundo desde a estréia do musical em 1980. A grande diferença ...

Pôster da semana: "Jack, o matador de Gigantes", de Brian Singer (EUA,2013)

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Crítica: O lado bom da vida

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Quem viu Bradley Cooper posando de galã em Se beber, não case jamais diria que ele se tornaria um ator de respeito. Mas os sinais já estavam sendo plantados faz algum tempo. Ele alternava muito bem trabalhos em gêneros como ação, comédia e drama. Em 2011, com  Sem Limites, ele supreendeu como o loser que, do dia para a noite, se tornava um bem sucedido homem de negócios em Wall Street graças a uma droga que dava ao seu cérebro habilidades super-humanas. Mas é sob a batuta de David O. Russel que Cooper finalmente atinge o auge do sucesso e entrega sua performance mais envolvente, com os devidos méritos da parceira de elenco e queridinha do momento em Hollywood, Jennifer Lawrence. Cooper e Lawrence são como uma força da natureza juntos na tela. E a química dos dois atores é muito do que se pode justificar para o sucesso extraordinário que esta comédia familiar vem alcançando em todo o mundo. O lado bom da vida passou, de surpresa dos festivais de Veneza e Toronto, para um dos ...

Crítica: O Mestre

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Depois de Sangue Negro, Paul Thomas Anderson não precisava provar mais nada para ninguém. Com uma das carreiras mais regulares do cinema atual, este Californiano fã de Renoir, Truffault e Scorcese faz de seus filmes um verdadeiro laboratório de experiências cinematográficas. Talvez por isso sua carreira seja marcada por tão poucos - mas marcantes - trabalhos. Mas se expor as mazelas do surgimento do mercado de óleo e gás nos EUA já era uma ousadia e tanto - o livro em que se baseava o filme, Oil, é uma das mais controversas obras literárias da atualidade na América do Norte -, Paul Thomas Anderson não quis fazer por menos em sua nova empreitada. Em O Mestre, ele faz um retrato minucioso de um líder fictício de uma religião alternativa (inspirado no cientologista L. Ron Hubbard) sob o olhar de um dos seus seguidores desequilibrados, mostrando o poder que uma mente dominadora tem sobre outra fraca ou submissa. Entre outras palavras, Paul Thomas Anderson faz uma crítica a todos os fa...

Crítica: Lincoln

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Um filme dirigido por Steven Spielberg sempre gera uma expectativa acima da média. Não é para menos. O midas da indústria do Cinema americano é pai de alguns dos maiores sucessos da sétima arte e ainda tem no curriculum jóias como A Lista de Schindler . Mas, como muitos cineastas, Spielberg tem aquele lado político que às vezes resolve aflorar e ficar à frente de seu talento como contador de histórias.  Lincoln, pode-se dizer, é o filme certo para um ano de eleições americanas em que o presidente Obama estava visivelmente em baixa. O presidente americano da época da Guerra de Secessão é um dos mais idolatrados do país, e teve como uma das realizações de seu período como governante a libertação dos escravos negros. Spielberg, abertamente favorável ao atual presidente dos EUA, enche seu filme de situações panfletárias e descamba o que deveria ser uma biografia para apenas um bom filme sobre uma figura histórica em uma fase específica de sua vida. Spielberg não é bobo, e convocou p...

Pôster da semana: 'O Mestre', de Paul Thomas Anderson (EUA, 2012)

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Crítica: Amor

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A pressa que temos em seguir com todas as nossas responsabilidades cotidianas às vezes mascara uma verdade dura e irreparável: a vida não é tão longa quanto parece. Nós envelhecemos mais rápido do que gostaríamos, e nossos entes queridos com velocidade ainda mais esmagadora. Ao olharmos álbuns de fotografias, aquelas lembranças, por mais que sejam felizes, ferem nossa alma por dentro como ferro em brasa. Somente um cineasta como Michael Haneke para conseguir externalizar todos estes sentimentos de forma tão sutil e ao mesmo tempo tão intensa. O diretor austríaco, autor de obras perturbadoras como Violência gratuita , Cachê e A Fita branca é um mestre em expor em seus filmes os mais complexos sentimentos humanos. Neste seu último projeto, ele trabalha aquele que é o mais puro deles de uma forma emocionante e poderosa, não poupando os expectadores de sofrer a cada momento junto com seus personagens. Amor é um filme que representa na síntese o que seu título significa. ...